Cursos Magento

Porque Magento não é a melhor plataforma de e-commerce

31 de outubro de 2017

Magento é mesmo a melhor plataforma de e-commerce? Pergunte para a Patrícia.

Patrícia tem 52 anos, e acaba de encerrar sua carreira de 30 anos como bancária. Durante os últimos anos da sua vida no trabalho formal descobriu sua paixão por moda, e decidiu investir boa parte de suas reservas na construção de um e-commerce de roupas e acessórios para mulheres. Afinal, recentemente leu uma pesquisa sobre vendas na internet, e este era um dos melhores segmentos no e-commerce (e deve ser mesmo).

Logo, começou a procurar qual seria a melhor plataforma de e-commerce para construir seu sonho.

Tudo o que ela sonhava como diferencial já existia nesse tal Magento. Tem produtos configuráveis, que é ideal para seu segmento de moda, tem integração com PagSeguro e com os principais gateways, integração com correios, todos os tipos de promoção que ela jamais encontraria em outra plataforma, uma infinidade de temas disponíveis em vários sites, e muito, muito mais.

E o melhor de tudo, “de graça”.

Magento SaaS ou DIY ?

A Patrícia não faz a menor ideia do que é SaaS, ainda que o DIY (Do It Yourself – Faça você mesmo) faça parte das suas playlists do Youtube. Mas a essa altura com todas as informações que levantou, o Magento é a melhor plataforma. Está até no topo do quadrante Gartner, e pode começar sua loja agora mesmo.

Baixar o Magento e tentar configurar é uma das suas opções. Ela pode inclusive encontrar o curso Magento para Lojistas e Empreendedores do Ricardo, que ensina a construir o e-commerce do zero em Magento, com PagSeguro, Correios, traduções, e até a registrar o seu domínio .com.br e escolher onde hospedar.

Outra opção que a Patrícia encontrou é “alugar” um serviço de e-commerce (o tal do SaaS). E existem vários que ofereceriam Magento com quase tudo pronto por cerca de R$60/mês. Ela encontrou a Loja Virtual UOL, Signashop, BRTLoja, e muitos outros que oferecem o Magento pronto, alguns temas e diferenciais.

É claro que na última opção a Patrícia encontrou algumas (ou várias) limitações, seja no tema, no número de produtos, na impossibilidade de customizações ou de instalação de módulos. Afinal, qualquer coisa que faça sentido para Patrícia, só será implementado se fizer sentido para todos os outros clientes da plataforma. Além disso, ainda correria o risco de encontrar algumas lojas parecidas com a sua por aí.

A decisão de Patrícia

Três meses se passaram, e a Patrícia já é praticamente uma empreendedora. Abriu seu CNPJ, criou uma lista de fornecedores, tem lista de produtos com preço de custo e preço de venda, estudou quase todos seus concorrentes e está pronta para começar. A essa altura, Patrícia está tão preparada e empolgada para começar grande que resolveu investir ainda mais, e decidiu criar um design único para sua nova marca. Para isso contratou uma agência de marketing (poderia ser um desenvolvedor) para criar seu layout e construir sua loja Magento do começo ao fim.

Mais três meses de trabalho em conjunto com a agência se passaram, e estava quase tudo pronto. Enquanto a agência criava o layout e as customizações, a Patrícia foi cadastrando seus produtos, comprando estoque e tudo mais.

A loja estava pronta pra ir ao ar. O trabalho da agência contratada terminou. E-commece entregue, e-mails funcionando, site hospedado, tudo pronto pra vender. E o melhor de tudo, o código, com todas as customizações e temas agora são propriedade da Patrícia, que poderá apenas contratar um desenvolvedor de vez em quando para fazer um ou outro ajuste.

Portas abertas! Patrícia começa a vender!

Não demorou muito, e logo após o primeiro post e R$10 de Facebook Ads, a loja da Patrícia já tinha seu primeiro pedido.

3 meses depois

As vendas até estão indo bem, mas alguns probleminhas começam a aparecer. O Magento começa a avisar que tem patches de segurança que precisam ser aplicados, e a essa altura Patrícia já tem algumas ideias de customizações, alterações e correções que precisam ser feitas.

Caixa de aviso plataforma Magento

Patrícia teve alguns problemas de relacionamento durante a fase de desenvolvimento com a agência na primeira fase, afinal, ela não tinha muita ideia do que precisava pedir. Além disso o custo da agência é muito alto, e as vendas ainda não pagaram os custos – e como a Patrícia sabe, é normal para qualquer empresa com 3 meses de idade.

Procura-se desenvolvedor Magento

Procura-se: Desenvolvedor Certificado na plataforma MagentoÉ hora de contratar um desenvolvedor. Patrícia nunca contratou um desenvolvedor, mas sabe o que precisa: aplicar os patches de segurança, e fazer algumas “pequenas” correções e melhorias na sua loja.

Depois de muita conversa e algumas postagens em grupos de Magento, Patrícia conhece Mario, um desenvolvedor PHP bem experiente e que já fez vários trabalhos em WordPress, Joomla, e com uma reputação incrível. Até agora.

Mario? Que Mario?

Duas semanas se passaram depois da contratação do Mario, e até agora nada entregue.

Não. O Mario não fugiu com o dinheiro da Patrícia. O Mario está tentando entender como o Magento funciona, para alterar o que a Patrícia pediu e depois aplicar as correções de segurança.

Diferente do WordPress que o Mario estava acostumado a mexer, ele não conseguiu aprender Magento com a mesma facilidade que teve no passado, em outras ferramentas.

Mario achava que resolveria todos os problemas da Patricia em poucas horas, mas já não era bem assim e estava no prejuízo.

Como profissional de boa reputação que é, Mario assumiu a bronca e na terceira semana, mesmo com o prejuízo conseguiu fazer as alterações e aplicar os patches de segurança.

O começo da dor de cabeça

Algumas semanas depois a lojinha começa a apresentar problemas mais graves. Alguns destes problemas a Patricia nunca tinha testado antes e poderiam estar lá desde o começo e ter grande responsabilidade no baixo crescimento da loja. Outros parecem mais novos e é tudo culpa do Mario mesmo. Pobre Mario.

Patrícia começa a ficar desesperada, pois a loja não está estável. Erros aleatórios, produtos com problemas, checkout instável, clientes insatisfeitos com a experiência de compra, e uma lista cada vez maior de erros e ajustes para serem feitos.

O que Patricia não sabia

Apesar de Magento ser realmente a melhor escolha em termos de plataforma, ela não é simples. A Patricia não quer aprender a criar temas para Magento, nem aprender a criar módulos para Magento. E talvez nem deveria mesmo, pois seu papel é cuidar do negócio. Além disso, Patricia não tem experiência alguma com desenvolvimento e isso levaria muito tempo para aprender.

Por outro lado, a agência de marketing e o Mario tinham muita experiência com desenvolvimento. Mas não com desenvolvimento para Magento. E isso, faz muita diferença.

O Magento é uma ferramenta modular, e praticamente tudo que se precisa alterar ou implementar nele é feito através da construção de “peças extras” (módulos) que são acopladas ao seu código, sem modificar o código original.

Mas entender como criar esses módulos dá muito trabalho. Tanto para a agência de marketing, como pro Mario (e mais ainda para Patrícia).

Mas modificar o código original é muito mais rápido e prático para a agência e também para o Mario, que poderão entregar o que a Patricia pediu muito mais rapidamente. Entender como a forma como a plataforma funciona, onde estão as partes que podem ser reaproveitadas, o que já existe por aí, problemas de compatibilidade, isso tudo dá muito trabalho.

No final das contas, tanto as customizações realizadas pela agência de marketing e pelo Mario acabaram por serem feitas mexendo-se no código original, e sem muita preocupação com o futuro da lojinha.

O futuro da loja Magento da Patricia

Patrícia no sofá com problemas no Magento

Patrícia provavelmente ainda terá muitos desenvolvedores como o Mario e muitas agências de marketing mexendo na sua loja e ignorando qualquer boa prática que menciono em todos os meus cursos e vídeos sobre Magento por aqui. E eles não farão isso por mal, mas apenas pela falta de especialização na plataforma.

De vez em quando Patricia encontrará desenvolvedores certificados Magento ou empresas com experiência na plataforma, mas que estarão impossibilitados de arrumar a loja, pois nenhum dos desenvolvedores anteriores se preocupou sequer em versionar o código da loja, para que pudessem ver o que foi alterado no passado ou mesmo voltar o código da loja para uma versão anterior a fim de ver onde determinado problema começou a ocorrer.

A loja terá tantas customizações feitas no código principal (core), que até mesmo mudanças feitas através de módulos bem desenvolvidos não funcionarão, pois aquela base principal foi alterada. Com isso, o sonho de poder instalar um dos milhares de módulos já existentes para uma ou outra customização irá frustrar Patrícia aos poucos.

Em algum momento alguém vai dizer para Patrícia que ela precisa fazer tudo de novo. Com sorte, a loja ainda estará no ar e poderá esperar enquanto a nova loja é reconstruída.

Então a Patrícia não deveria ter escolhido Magento?

Se você não é a Patrícia, você já ouviu esta história pelo menos uma dezena de vezes trabalhando com Magento.

Você entendeu o que a Patrícia realmente queria?

Tudo o que a Patrícia queria era validar e começar seu negócio de venda de roupas online. A Patrícia talvez não precisasse de um layout único, de 10 mil módulos para modificar seu e-commerce, nem escolher a melhor e mais acreditada plataforma de e-commerce.

Talvez a Patricia sequer precisasse de um e-commerce! Uma página no Facebook e uma conta no Mercado Livre permitiriam a ela ganhar fôlego para construir sua marca, focando apenas no negócio, sem se preocupar com a plataforma e, principalmente, sem arriscar suas economias de uma vida inteira em algo que ela não conhece: o e-commerce.

Também não seria um crime se a Patricia optasse por uma plataforma SaaS, ainda que com suas limitações. Isso permitiria que ela focasse no negócio e novamente não se preocupasse tanto com a plataforma em si.

Ainda assim, devo dizer que já ouvi histórias tristes mesmo em plataformas SaaS por conta de ‘acidentes’ no provedor do serviço. Ter um backup das coisas é sempre indispensável.

Magento (não) é para todos

Há quem diga “pensou em e-commerce, pensou em Magento”. Sendo desenvolvedor Magento desde 2011, eu não tenho dúvidas de que esta é uma ferramenta incrível e repleta de oportunidades para todos. Afinal, se não acreditasse nisso, não teria criado o Magenteiro.

Se compararmos os recursos, flexibilidade, portabilidade, robustez, mão de obra disponível, e muitos outros fatores, Magento é com certeza a melhor opção para a maioria dos casos.

No entanto, para pessoas como a Patricia, o Magento pode se tornar um pesadelo.

Ao errar na contratação da agência, ou do desenvolvedor, você põe em cheque o futuro do seu negócio. Isso vale para qualquer plataforma, ou qualquer coisa que dependa o seu negócio.

Se você é taxista, precisará de um bom mecânico para não deixar seu instrumento de trabalho parar, e nem sempre o melhor mecânico é o mais barato.

O custo de um profissional Magento vem aumentando significativamente, devido à escassez por profissionais especializados. Com isso, o custo de contratar empresas especializadas aumenta na mesma proporção, tornando quase impossível para pessoas como a Patricia.

A menos que a Patricia fosse como o Cledson – que já entrevistei aqui no Magenteiro – e abrace todas as pontas do negócio, corre atrás para aprender a desenvolver para Magento, a cuidar de infra estrutura, e ainda encontra tempo para cuidar da operação, talvez Magento não seja a melhor opção.

Mesmo no curso Magento para Lojistas e Empreendedores, recomendo que o lojista busque um profissional (de preferência certificado) para estar sempre ao seu lado, numa relação de longo prazo.

E esse custo muitas vezes não cabe no orçamento, fazendo com que o Magento não seja a opção ideal.

A Patrícia da história não existe, mas quem trabalha com Magento profissionalmente conhece muitas histórias como essa. Se ainda não ficou claro, meu principal objetivo com o Magenteiro, é fazer com que Patrícias e Marios existam cada vez menos no nosso mercado, principalmente no Brasil.


Algumas dessas e outras dicas você encontra no meu livro “Manual do Magenteiro de Sucesso”, onde dou dicas sobre os ambientes que devemos ter na construção de uma loja virtual, dicas de segurança, e como se prevenir de outras armadilhas e golpes que um lojista (Magento ou não) pode enfrentar com seu e-commerce.

Receba gratuitamente em seu e-mail uma cópia digital do meu livro.



 

 

 

 

Ricardo Martins

É desenvolvedor web há 16 anos e um dos primeiros certificados pela Magento no Brasil. Instrutor de mais de 8 cursos Magento (os principais no magenteiro.com/cursos) com mais de 9 mil alunos de 100 países, é também criador do módulo PagSeguro Transparente, usado em mais de 12 mil lojas.

Últimos posts por Ricardo Martins (exibir todos)

Assuntos: | |
Comentários